História da Páscoa

História da Páscoa

História da Páscoa 510 273 Tânia Vieira

Origens do termo, Páscoa entre os judeus e cristãos e os símbolos do coelhinho da páscoa e dos ovos de chocolate.

Não há nada mais sublime na história dos cristãos que a ressurreição de Jesus, ponto fundamental da liturgia cristã.  A Páscoa, que os cristãos  celebram com alegria e entusiasmo, tem sua origem no judaísmo e em outros patrimônios culturais que, ao longo do tempo, herdou de tradições pagãs. A palavra páscoa tem sua origem no vocábulo  “Pessach”, do hebraico, “Pascha”, do latim, e “Paskha”, do grego.

E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. São Paulo, 1 Coríntios 15:14

A Páscoa Judaica.

O livro do Êxodo ou simplesmente Êxodo  é o segundo livro da Torá, posterior ao livro de Gênesis e o segundo da Bíblia hebraica, o Antigo Testamento dos cristãos. O Êxodo conta que, antes da décima praga, o profeta Moisés foi instruído a pedir que cada família hebreia sacrificasse um cordeiro e molhasse as batentes das portas com o sangue do cordeiro, para que seus primogênitos não fossem mortos.

O Êxodo do Egito, de David Roberts.

Quando chegou à noite, os hebreus comeram a carne do cordeiro, acompanhados de pão ázimo e ervas amargas.

E aconteceu, à meia noite, que o Senhor matou todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se sentava em seu trono, até o primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais.
Êxodo 12 - 29

Após a terrível tragédia e ainda de acordo com a narrativa encontrada no livro Êxodo:

O faraó levantou-se de noite, ele e todos os seus servos, e todos os egípcios; e havia grande clamor no Egito, porque não havia casa em que não houvesse um morto.

Então chamou Moisés e Aarão de noite, e disse: Levantai-vos, sai do meio do meu povo, tanto vós como os filhos de Israel, e ide, servi ao Senhor, como dissestes.

 Levai também convosco vossas ovelhas e vossas vacas, como dissestes; e ide, e abençoai-me também a mim. Êxodo 30 – 31 - 32

Assim, a palavra Pessach  não significa, como muitos pensam, a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, mas a passagem do anjo que  protegeu os primogênitos hebreus e matou os primogênitos egípcios. No livro,  também é descrito a  forma como os hebreus devem celebrar a Pessach.

E esse dia vos será  por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo.Sete dias comereis pães ázimos; ao primeiro dia tirareis o fermento das vossas casas, porque qualquer que comer pão levedado, desde o primeiro até o sétimo dia, aquela alma   cortada de Israel. E ao primeiro dia haverá santa convocação; também ao sétimo dia tereis santa convocação; nenhum trabalho se fará neles, senão o que cada alma houver de comer; isso somente aprontareis para vós.

Guardareis, pois, a festa dos pães ázimos, porque naquele mesmo dia tirei vossos exércitos da terra do Egito; pelo que guardareis esse dia nas vossas gerações por estatuto perpétuo. No primeiro mês, aos quatorzes dias do mês, à tarde, comereis pães ázimos até o dia vinte e um do mês à tarde.

Por sete dias não se ache nenhum fermento nas vossas casas, porque qualquer que comer pão levedado, aquela alma será cortada da congregação de Israel, tanto o estrangeiro  como o natural da terra.Nenhuma coisa levedada comereis;  em todas as vossas habitações comereis pães ázimos. Êxodo 14 – 20

A Páscoa Cristã

A Semana Santa começa no Domingo de Ramos, porque celebra a entrada de Jesus em Jerusalém.

Embora haja evidente relação com a Páscoa judaica, a Páscoa cristã ou Domingo da Ressurreição,possui um significado diferente, pois relembra  a ressurreição de Jesus ocorrida três dias depois da sua morte e  durante a celebração da páscoa judaica. 

É a celebração da páscoa que determina as demais festas religiosas móveis do calendário da Igreja, a exceção do advento (tempo litúrgico que antecede o natal).

Diferentemente da Páscoa dos judeus, a data da comemoração da Páscoa cristã é móvel e foi estabelecida durante o Concílio de Nicéia, em 325 d.C, na cidade de Nicéia da Bitínia, uma região da atual Turquia. No Concílio, organizado e presidido  dentro dos moldes do senado romano pelo imperador romano Constantino, reuniram-se os bispos e doutores da Igreja que  decidiram entre outras questões, a data da páscoa.

Dessa forma, por deliberação dos bispos da Igreja, ficou decidido que a  páscoa cristã ocorreria no primeiro domingo depois da lua cheia do equinócio vernal, a chamada lua cheia pascal.

Os cristãos, ao celebrarem a Páscoa, também abraçam a figura do cordeiro na pessoa de Jesus, considerado o Cordeiro de Deus que se entregou ao sacrifício da cruz, para redimir a humanidade dos seus pecados.

Morrendo, destruiu nossa morte, e ressuscitando, restaurou a vida”.

Vigília Pascal na Noite Santa - Homilia do Papa João Paulo II

Sábado Santo, 14 de Abril de 2001

Outras Manifestações da Páscoa Moderna

  O coelho e os ovos, símbolos da Páscoa, são heranças das culturas pagãs, especialmente dos povos germânicos.

A extinta Revista de História da Biblioteca Nacional em seu artigo “Ovo que vem de longe” diz que a tradição de ovos na Páscoa “é antiga na Europa e remonta ao século XIII, quando os estudantes da Universidade de Paris, após  entoarem salmos e cânticos de louvor a Deus em frente à catedral  saíam organizados em procissão, recolhendo presentes. As ofertas, especialmente ovos, eram distribuídas para parentes, amigos e vizinhos. Os ovos, tingidos de azul ou vermelho, simbolizavam o renascimento, a ressurreição e a imortalidade. Confeccionados em madeira ou argila, com o tempo eles passaram a ser  pintados e decorados com requinte. 

Acredita-se que coelhos e ovos eram tradicionais símbolos que representavam a fertilidade para diferentes povos e, à medida que esses povos foram sendo cristianizados, esses símbolos foram sendo agregados à comemoração cristã.

É o que defende alguns estudiosos do assunto. Eles afirmam haver uma conexão entre essas celebrações no norte da Europa e o culto a uma deusa germânica chamada  Eostern, conhecida, também, como Ostara. Os termos em alemão e inglês para Páscoa têm provavelmente origem nesse culto. Em alemão, o termo para Páscoa é Ostern, semelhança com  Ostara; já no inglês, o termo para Páscoa,  Easter, possui  semelhança com o termo Eostern. Essa associação encontra respaldo nas solenidades ocorridas durante o equinócio da primavera, ou seja, próximo da época em que os cristãos comemoravam a Páscoa e os povos germânicos realizavam festividades em homenagem à deusa Eostern.

Fontes Bibliográficas: